EMPRESA

Desbravar terras em busca de novos mercados marcou a história dos bandeirantes paulistas durante o período de colonização do Brasil. Há mais de 300 anos, expedições comandadas por corajosos aventureiros embrenhavam-se pela selva e viajavam meses, algumas vezes até anos, na procura de ouro e metais preciosos. Certa vez, em uma dessas expedições, ao sentir-se ameaçado pelos indígenas, o destemido bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, conhecido como Anhanguera, não hesitou em disparar tiros para o alto, com o objetivo de afastar seus oponentes. Assustados com o som emitido pela espingarda, reza a história que os índios começaram a dizer “Tupã, Tupã..”, palavra que em tupi-guarani significa trovão, fenômeno ao qual atribuíam características divinas.
Em 1946, no interior de São Paulo, um rapaz com então 20 anos de idade tinha sonhos típicos da juventude. Queria aumentar seus limites, ampliar as suas fronteiras. Apesar da pouca idade, este jovem intrépido dava os seus primeiros passos na construção de um grande patrimônio dentro do setor de transporte coletivo de passageiros. Junto à Prefeitura, Guerino conseguia a 1ª linha de ônibus, ligando a cidade de Tupã até o bairro da Ponte Alta. Porém, Guerino Seiscento almejava mais, muito mais!
 Com a ajuda de moradores, Guerino desmatou uma área e prolongou a linha inicialmente até o bairro Saltinho. Posteriormente, prolongou até a Barra do Coió, na barranca do rio Feio.
Até hoje, os moradores mais antigos tem na lembrança a imagem das velhas jardineiras Ford-38 percorrendo as estradas da região.
Guerino Seiscento começou cedo no ramos de transportes de passageiros. Aos 15 anos, ele  já trabalhava como cobrador na empresa de seu pai, João Seiscento, na cidade de Marília. Nascido em Itápolis no interior de São Paulo, Guerino mudou-se logo para Marília, onde seu pai montou uma sociedade em uma linha de ônibus, que ligava Marília a Bastos, e em outra que fazia o trajeto entre Quintana e Rancharia. Era uma época em que o transporte rodoviário apenas engatinhava e o trem ainda era símbolo do progresso. Tão  logo a estrada de ferro que ligava São Paulo a Quintana foi ampliada até Tupã, a família Seiscento sentiu que era hora de mudar. Deixaram Marília para trás e instalaram-se na promissora cidade de Tupã, de onde nunca mais sairiam.
Em Tupã, João e Guerino adquiriram um caminhão e começaram a comprar feijão e arroz no Paraná para vender em Tupã e cidades vizinhas. Guerino, que já sabia qual seria sua vocação decidiu caminhar com seus próprios pés. Trabalhou como motorista na linha que ligava Tupã a  Lucélia , e, posteriormente, fez o percurso Tupã e Rinópolis.  Foi quando, aos 20 anos, sentiu a necessidade de criar o seu próprio negócio.
Os primeiros tempos foram árduos. Alem da concorrência, Guerino era obrigado a abrir novas estradas na zona rural de Tupã, contando para isso com a ajuda de fazendeiros interessados.  Foi assim que abriu novos espaços em áreas até então desprovidas de transporte coletivo, caso dos bairros de Ponte Alta, Boa vista, São Martinho e Fazenda São João, chegando até mesmo à distante região de Santópolis. Para conquistar novos passageiros, Guerino não media esforços para oferecer o melhor serviço possível. Certa vez, sua empresa enfrentava dificuldades ao disputar posição com uma companhia concorrente que possuía melhores ônibus. Sentindo que estava perdendo terreno, Guerino passou a visitar um por um os usuários da linha concorrente. Na impossibilidade de renovar sua frota de apenas 3 carros, Guerino passou a oferecer um serviço diferenciado.  Se os usuários optassem por sua empresa, Guerino comprometia-se a lhes entregar gratuitamente alguma encomenda de que precisassem. Graças a essa diferença, Guerino conquistou novos passageiros e pode assim ampliar seus serviços. Em pouco tempo comprou a linha que fazia as cidades de Tupã até Lins.
Arrojado, Guerino Seiscento começou a atuar com mais firmeza pela região. Em 1958, não hesitou em abrir mão de sua própria casa e de seu automóvel particular para comprar uma linha que atuava nas cidades de Birigui e Araçatuba. Juntamente com a esposa Olga e os filhos deixou temporariamente Tupã e mudou-se para Santópolis, onde possuía uma garagem. Dois anos depois, com as dívidas saldadas, retornou a Tupã, comprando a mesma casa onde morava.
Para chegar ao ponto em que alcançou, Guerino Seiscento nunca poupou esforços em padrão de qualidade. Em 1958, a empresa tinha dez veículos movidos a gasolina. Assim que surgiram os motores a diesel, Guerino apressou-se em adquirir junto à concessionária “Itatiaia” os componentes necessários para a substituição imediata em seus ônibus. Desde então, Guerino optou por trabalhar sempre com veículos zero quilômetro, filosofia esta que é mantida até hoje. Atualmente, a Guerino Seiscento Transportes conta com mais de 350 veículos operando nos segmentos interestadual, intermunicipal, urbano e suburbano. Segundo o próprio DER/SP, a Guerino Seiscento transporte é a empresa que possuía frota com menor idade média operando transporte coletivo de passageiros, fato este que enche de orgulho não apenas o seu proprietário, bem como os quase quatrocentos funcionários que nela atuam. Tal filosofia, costuma dizer Guerino, é uma resposta à gratidão do povo de Tupã e região, que sempre prestigiou a empresa, desde os tempos em que as velhas  jardineiras percorriam as esburacadas estradas para alcançar a Capital.
Apesar de toda sua trajetória de sucesso, movida por muito suor e trabalho, Guerino, também sofreu pequenos e grandes acidentes de percurso, que só ocorrem com homens pioneiros, com homens de visão, que não medem esforços na consecução de seus sonhos. Por isso, Guerino jamais desanimou e prossegue, sempre, investindo na qualidade. A Guerino Seiscento Transporte obteve um grande crescimento nos últimos anos, marcando forte presença em todos os segmentos do transporte de passageiros, principalmente em cidades de grande porte do norte do Paraná, como Londrina e Cornélio Procópio. Além disso, expandiu suas atividades  para o setor de agropecuária, café e seringais. E é com essa garra e perseverança que Guerino Seiscento, com a ajuda dos filhos, Irani, Márcia e João Carlos, pretende levar adiante o seu projeto de estar sempre em busca de novos caminhos, tal como os primeiros bandeirantes de nossa história.